terça-feira, maio 15, 2007

partida

despeçam-se dos pais
votem de cruz no homem fardado
saltem dos combóios andados
rodem maçanetas de portas
trancadas
abram as arcas vazias
olhem
aparem a grama seca
chorem
apertem os cintos
mais
façam adeus
despeçam-se
chegou a hora

elevem a cadeira
mais
mais para cima

voem

4 comentários:

efe disse...

voemos

Arion disse...

Fico sem palavras perante a tua escrita... Parabéns, bem-hajas!

Vieira Calado disse...

Ou então... roubem um barco...

Manuel Bastos disse...

A poesia não precisa de manual de instruções, não porque seja explícita, mas porque cada poema tem a sua gramática própria que não é dirigida à razão nem ao saber, mas à emoção e ao ser. As tuas palavras são assim: quase óbvias mas sem serem lugares-comuns; quase musicais mas sem a tentação da rima fácil.
É preciso apenas subir um pouco a cadeira, de facto; eu subo sempre a minha quando venho aqui.